domingo, 29 de janeiro de 2012

Trilho dos abutres – 45km de emoções

Tal como nos anos 80 fechava os olhos para dormir e só via peças de tetris a encaixar, também agora cerro as pálpebras para repousar e vejo desfiar pelo meu cérebro uma sucessão interminável de fotogramas aparentemente sem sequência lógica: tão depressa estou a olhar para o chão e a ver as minhas sapatilhas enterradas na lama, como no momento seguinte alargo a vista ao horizonte e absorvo a magnífica envolvente da serra, que imediatamente é substituída por um tronco atravessado a 10 cm dos meus olhos, trilhos, água, fetos gigantes, penedos, subidas intermináveis, mochilas, musgo, árvores, descidas impossíveis, conversas, e rostos, muitos, uns conhecidos e outros que passaram a sê-lo.

O corpo, dorido de um imenso esforço de oito horas consecutivas de ininterrupta actividade, procura agora, lenta mas incessantemente, a inexistente posição perfeita para repousar.

Paradoxalmente, o sono tarda em aparecer. Talvez seja daquele aguado mas reconfortante café servido pelos inefáveis bombeiros de Miranda do Corvo, ou talvez seja o cérebro a pregar-me partidas e a esforçar-se por prolongar estas sensações únicas de uma jornada ímpar, garantindo desta forma que ela permaneça bem gravada na memória.

Agora, que vou sentindo o cansaço prestes a convocar Hipnos e que seguramente em conluio com Morfeu estão prestes a pregar-me uma partida, procuro antecipar-me e ir ainda a tempo de convocar para registo na memória os múltiplos momentos de contacto com todos os companheiros que, desde há meses trabalham para que esta tenha sido para todos nós uma aventura inesquecível.

Fui …

8 comentários:

Carlos Castro disse...

Grande foto, este texto!
Parabéns!

Rui Pinho disse...

Tal e qual o que me aconteceu. Parece que o filme se prolonga no nosso cérebro...
Um abraço e obrigado pela tua paciência.

João Paulo Meixedo disse...

Obrigado, amigo Carlos, a verdade é que "escrevi" este texto de olhos fechados, tal como descrevo. De manhã limitei-me a despejar em palavras aquilo que tinha sentido umas horas antes.

João Paulo Meixedo disse...

Eu é que te agradeço a tua sensatez, caro Rui, que me foste travando o ímpeto. Só uma primeira meia prova calma me permitiu abrir a partir do km 20. tenho pena que não a tenhamos feito juntos até ao fim, mas esse dia ainda há-de chegar.
Aquele abraço e guarda bem o periquito :)

joaquim adelino disse...

Grande João, como me senti feliz por poder acompanhar-te ali alguns momentos, como não deu para mais aproveitei enquanto pude. Parece que estamos a virar a agulha para esta vertente da corrida, o Vitor confidenciou-me que é este o caminho a percorrer no futuro e eu registei essa vontade como forma de vos encontrar muito mais vezes. Já vou no terceiro ano de Trail e vou cada vez mais encontrando amigos que dificilmente saíam da estrada. Creio que este empeno dos Abutres nos encheu a todos difinitivamente do gosto pela Montanha, pelo Trail e pela superação das nossas desconhecidas capacidades em superar aquilo que parece impossível, por isso caro amigo envio-te os parabéns pelo êxito nesta aventura cujo carimbo bem pode ficar vincado como o Trail mais duro que enfrentei até hoje. Espero que recuperes bem pois o Sicó e Almourol já aí espreitam!!! Abraço.

João Paulo Meixedo disse...

Caro amigo Joaquim Adelino, desculpa a demora na resposta, mas com o facebook um tipo até se esquece do blog. Foi de facto um grande prazer aqueles km que fizemos juntos. Pena não ter sido mais tempo, mas cada um tem os seus ritmos e eu ainda me estou a acostumar à montanha e a tentar perceber como abordá-la. Uma coisa garanto: estou a ficar apanhado pelas provas de montanha e a estrada começa a perder o interesse. Já estou escrito em Almourol e a Geira seguir-se-á.
Um enorme abraço.

Fábio Capitão disse...

Boas. Sou um leitor assiduo do seu blog e aqui deixo o link do meu, para o caso de querer trocar opiniões sobre corridas e espero que goste--» http://osprintfinal.blogspot.pt/

Cumprimentos

Vitor Veloso disse...

Parabens, mais uma!!
Abc