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domingo, 29 de janeiro de 2012

Trilho dos abutres – 45km de emoções

Tal como nos anos 80 fechava os olhos para dormir e só via peças de tetris a encaixar, também agora cerro as pálpebras para repousar e vejo desfiar pelo meu cérebro uma sucessão interminável de fotogramas aparentemente sem sequência lógica: tão depressa estou a olhar para o chão e a ver as minhas sapatilhas enterradas na lama, como no momento seguinte alargo a vista ao horizonte e absorvo a magnífica envolvente da serra, que imediatamente é substituída por um tronco atravessado a 10 cm dos meus olhos, trilhos, água, fetos gigantes, penedos, subidas intermináveis, mochilas, musgo, árvores, descidas impossíveis, conversas, e rostos, muitos, uns conhecidos e outros que passaram a sê-lo.

O corpo, dorido de um imenso esforço de oito horas consecutivas de ininterrupta actividade, procura agora, lenta mas incessantemente, a inexistente posição perfeita para repousar.

Paradoxalmente, o sono tarda em aparecer. Talvez seja daquele aguado mas reconfortante café servido pelos inefáveis bombeiros de Miranda do Corvo, ou talvez seja o cérebro a pregar-me partidas e a esforçar-se por prolongar estas sensações únicas de uma jornada ímpar, garantindo desta forma que ela permaneça bem gravada na memória.

Agora, que vou sentindo o cansaço prestes a convocar Hipnos e que seguramente em conluio com Morfeu estão prestes a pregar-me uma partida, procuro antecipar-me e ir ainda a tempo de convocar para registo na memória os múltiplos momentos de contacto com todos os companheiros que, desde há meses trabalham para que esta tenha sido para todos nós uma aventura inesquecível.

Fui …

domingo, 8 de maio de 2011

Fim-de-semana desportivo

Após a estreia do fim-de-semana passado, respondi ontem pela segunda vez à chamada da Orientação, desta vez no Parque do Carriçal, numa prova em memória de Sálvio Nora.

Inscrito, tal como na semana anterior, no escalão Médio, farte-me de esperar, debaixo de chuva, pela minha vez de partir, pelo que, de forma algo atrevida mas vendo que era a única forma de partir de imediato e sempre com o pensamento de que alguém tem que ser o último, troquei a minha inscrição para o escalão Difícil e lá fui.

O ambiente que rodeia estes eventos, aliado ao facto de ser um desporto que combina o físico com o intelecto, sem ignorar a satisfação de ter ficado em 14º num total de 33 atletas, à frente de alguns federados, obriga-me a dizer, provavelmente de forma algo prematura, que já fui mordido pelo bicho da Orientação. Não se livrarão de mim.

Isso foi ontem, porque hoje desloquei-me na companhia do Vitor (parabéns por mais um recorde pulverizado) e do Luis Pires, a Cortegaça, para correr mais uma Meia. Foi preciso fazer 20 Meias para começar a ter algum juízo: comecei a um ritmo lento, talvez mesmo demasiado lento, e fui fazendo a prova de trás para a frente.

Terminei com o mais extenso e mais rápido sprint de que tenho memória, num modesto tempo de 1:39:07 – uma meia dúzia de minutos acima do meu recorde – mas de forma fisicamente tranquila. Os recordes são coisa do passado.