Que tinha sido uma desinserção do tendão; isto é: que o tipo se tinha soltado do osso da bacia, mas que a tendência seria para se voltar a agarrar; pelo que ele prescrevia actividade física moderada, para que o tal protagonista não perdesse elasticidade e, mais a mais, estava-se mesmo a ver que eu era endorfinómano.
Analisemos então o insulto: a endorfina é uma substância natural produzida pelo cérebro em resposta à actividade física, com o objectivo de relaxar o organismo e prevenir a dor, pelo que provoca sensação de bem-estar e euforia, mais ou menos moderada.
Todos os praticantes de actividade física regular conhecem a sensação de, em determinada fase do exercício vermos o cansaço e a dor muscular substituídos por um inegável bem-estar, uma mistura de euforia e prazer, que proporcionar uma impressão de paz interior e uma certa e tranquilidade.
Ora aí surge o tal de endorfinómano, que tanto abrange o viciado em actividade física, que no caso de parar sofre crise de abstinência, como aquele que vai intensificando cada vez mais o exercício à procura da tal euforia.
Pois é, apesar de as endorfinas melhorarem a memória, o estado de espírito e o sistema imonulógico, de aumentarem a resistência e a disposição física e mental, de bloquearem as lesões nos vasos sanguíneos, aliviarem a dor e terem efeito antienvelhecimento – tudo coisas perniciosas, como se vê – eu arrisco e continuo a apostar nessa droga, pelo que após 9 dias sem treinar saí hoje pelas 7 da matina, ainda a cidade dormia, para um treino necessariamente curto de 45 minutos, ao longo do rio Douro.