terça-feira, 24 de abril de 2012

Aprendiz de feiticeiro em jornada dupla








Ponto 15-43, 15-43 … 15-43 … no cruzamento à direita, 43, … cruzamento à direita, 43 …
– Ó sinhôr, biu o 22?
– Não.

43, cruzamento à direita, … bolas! O miúdo distraiu-me, já passei o cruzamento. Para trás … agora é à esquerda …”

 Ó Bruuuuuuuno, esse é o 39?

Agora sigo a linha de alta tensão e é no ponto de cota mais elevada … onde é que está a linha de alta tensão?!! Devia estar aqui em cima da curva … népia … só se for este muro!?! Pois, esta linha com bola deve ser muro e não linha de alta tensão … SIGAAA”

 Ó sinhôr tem aí em cima alguma bandeira?

 Sim.
 
– Que númbaro é?

– Já não me lembro, já vou a descer; tens que ir lá ver se não perde a piada.

 “Ora bem, para onde é que eu ia? Já me baralharam outra vez as contas … é já a direito pelo meio deste verde! … eh pá, é só silvas! Ei já estou todo picado, e sangue e o camandro … mas aqui no mapa isto está a verde e bem nítido, bem escurinho … bom, que se lixe, pra trás e à volta …!”
– Ó sinhôr, por aí passa-se?

– Não te metas nisso rapaz, é perigoso. Não vez como estou todo picado?!
 
“… dentro de um quadrado? Quadrado aqui … só aquela ruína … cá está”
“… ah, desta vez não me apanham, está claramente do outro lado desta linha azul que só pode ser uma linha de água. Vou à volta pela ponte … azar nítido, está seca, tinha dado para passar!
  
“… olha outra linha de tensão; pois, pois, agora já sei que é muro …”

– Ó Joana, biste o Setôr? Num encontro o ponto, vou desistir.
– Ó meninas, que conversa é essa? Aqui ninguém desiste; vamos lá ver: de que ponto andam à procura?



Depois da diversão da véspera, e dum honroso 24º lugar em 33 competidores do escalão Difícil Masculino, acordei domingo, sobressaltado e com esforço, pois a diversão havia continuado noite dentro, noutros moldes bem distintos e a propósito de uma animada festa de aniversário.
A muito custo lá me levantei e de imediato tomei a decisão de ir de Vespa, porque precisava de muito ar frio na fronha. Iria ser fisicamente penoso e nem me passava pela cabeça repetir a classificação da véspera, da mesma forma que não me passava pela cabeça faltar à chamada, pois que esta coisa da Orientação começa a entranhar-se e mais a mais esta iria ser para mim uma data histórica: a estreia como atleta do GrupoDesportivo 4 Caminhos.

Encontro com amigos, os de sempre e os novos, hidratação – muita, aquecimento – pouco, partida e lá vou eu talude abaixo em busca do primeiro ponto. Neste circuito, com uma forte componente urbana, e portanto sem que o conhecimento da sinalética seja tão preponderante, não houve lugar a hesitações e dei tudo o que tinha e o que não tinha, para terminar num surpreendente 15º lugar, de entre os 40 atletas que terminaram o escalão Difícil.
A continuar assim ainda experimento isto com bússola, um dia destes.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Trilho dos abutres – 45km de emoções

Tal como nos anos 80 fechava os olhos para dormir e só via peças de tetris a encaixar, também agora cerro as pálpebras para repousar e vejo desfiar pelo meu cérebro uma sucessão interminável de fotogramas aparentemente sem sequência lógica: tão depressa estou a olhar para o chão e a ver as minhas sapatilhas enterradas na lama, como no momento seguinte alargo a vista ao horizonte e absorvo a magnífica envolvente da serra, que imediatamente é substituída por um tronco atravessado a 10 cm dos meus olhos, trilhos, água, fetos gigantes, penedos, subidas intermináveis, mochilas, musgo, árvores, descidas impossíveis, conversas, e rostos, muitos, uns conhecidos e outros que passaram a sê-lo.

O corpo, dorido de um imenso esforço de oito horas consecutivas de ininterrupta actividade, procura agora, lenta mas incessantemente, a inexistente posição perfeita para repousar.

Paradoxalmente, o sono tarda em aparecer. Talvez seja daquele aguado mas reconfortante café servido pelos inefáveis bombeiros de Miranda do Corvo, ou talvez seja o cérebro a pregar-me partidas e a esforçar-se por prolongar estas sensações únicas de uma jornada ímpar, garantindo desta forma que ela permaneça bem gravada na memória.

Agora, que vou sentindo o cansaço prestes a convocar Hipnos e que seguramente em conluio com Morfeu estão prestes a pregar-me uma partida, procuro antecipar-me e ir ainda a tempo de convocar para registo na memória os múltiplos momentos de contacto com todos os companheiros que, desde há meses trabalham para que esta tenha sido para todos nós uma aventura inesquecível.

Fui …

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

À terceira não foi de vez


Quase meia-noite e o sono não vem


A ansiedade é grande.


Ainda tentei convencer os meus companheiros de abrigo a aviar uma de verde branco com a massa do jantar, para relaxar desassossegos, mas fui pouco persuasivo.


O Luís recolheu-se cedo e ao Vitor ainda o retive até às onze. Depois, no silêncio da noite da aldeia, rapo do livro de cabeceira e procuro algo que me acalme as emoções. Lá acabo por embalar.


“– Sim, estou melhor, obrigado por perguntares … e desculpa

ter-te tratado por tu sem termos sido apresentados, embora sinta que te conheço há muito”


“– É a melhor maneira de o fazeres, sou apenas mais um maluco que anda aqui a correr à chuva no meio do monte”, retorquiu o João Garcia.


Não deve haver muitos desportos em que os atletas amadores tenham a possibilidade de conviver com aqueles cujos feitos admiram e cujas aventuras acompanham como suas. Aqui estava eu à conversa com o responsável por na véspera ter apagado a luz já bem próximo da uma da manhã.


Esta troca de palavras deu-se debaixo de uma indescritível invernia, durante um trote ao longo da estrada que liga S. Lourenço da Montaria a Dem, após ter-nos sido barrado o caminho ao quilómetro vinte, devido às condições atmosféricas no alto da Sra. Do Minho.


Para quem após duas curtas experiências de trail preparava a estreia na maratona de montanha, para quem conduziu centenas de quilómetros, para quem veio de véspera, para quem trocou vale de lençóis na primeira noite fria do ano para estar no meio da serra ainda de noite e debaixo de um céu carregado, para quem … tudo e mais alguma coisa, é indescritível o desapontamento ao ver-se abruptamente impedido de concretizar um sonho que já ia a meio e para o qual treinou dezenas de vezes e com o qual sonhou ao longo de meses …


… todavia, meus amigos, não haverá ninguém mais inconsolável do que quem abdicou de horas de treino, de repouso, de convívio com a família ou de simples ripanço para, com grande esforço, por de pé um sonho antigo. A decisão da Organização não foi seguramente fácil nem tomada de ânimo leve. A minha solidariedade vai toda para aqueles que tudo fizeram para nos prestar o melhor dos apoios.

Abre lá as inscrições para 2012, Carlos, que a malta está à espera.


à partida tudo são sorrisos ...


... e à chegada também.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

No país onde as vacas não se riem

“ – E agora, à nossa direita, o Museu Bata de Calçado”, anuncia o guia.

“ – Porquê um museu Bata em Toronto, quando a marca é Checa?”, perguntamos nós.

“ – Ai é checa?!”

“ – Claro, era a fábrica onde trabalhava Emil Zatopek”, returco.

“ – Quem?”

“ – Emil Zatopek, o mais brilhante atleta de fundo e meio-fundo de todos os tempos”, insisto.

“ – ?????? … atenção, aqui o nosso amigo português tem uma informação para nos dar acerca de um tal Emir Zaroteq e da marca Bata, que ao que parece não é Canadiana”.

Um inglês toca-me no ombro e, a meia voz mas de modo a que toda a gente consiga ouvir, diz-me: "Não perca tempo amigo, o guia é provavelmente o único do grupo que não sabe quem foi Emil Zatopek”.

Não me arrependo de ontem o ter comprado nem de o ter lido de um fôlego, mas confesso que estava à espera de mais, … não do Zatopek mas antes do Jean Echenoz.

domingo, 7 de agosto de 2011

Será do guaraná?

Estava calmamente há uma semanita em férias quando um dia acordo com uma dor de cabeça que me acompanhou o dia todo; a mim que dores de cabeça só conheço as provocadas pelas ressacas.

Atribuí logo o facto ao café que, para além de ser mais fraco por estas bandas, tenho tomado em menor quantidade. À cautela, no dia seguinte, como acordei com idêntica moedeira, dupliquei a dose de cafeína, acrescida ainda de uma ou duas coca-colas. A dor de cabeça continuou, e eu atribuí a coisa ao ar-condicionado.

No terceiro dia evitei o ar condicionado, mas a dor continuou.

Hoje, ao fim de mais de 300km de condução num país estranho e apesar de estarem 32oC às 5 da tarde, resolvi fazer uma coisa que não fazia há 13 dias: calcei as sapatilhas e fui treinar.

Foram 57 minutos para percorrer 10 míseros quilómetros planos, e mal cheguei atirei-me para debaixo dum chuveiro de água fria.

Não vale a pena perder tempo com grandes ilações acerca duma realidade que todos conhecemos: que a falta de exercício nos afecta emocionalmente.

O que eu agora constato e para mim constitui novidade é que a mesma falta de exercício nos afecta fisicamente; e não, não estou a falar de gordura: não me dói a cabeça há duas horas.

domingo, 3 de julho de 2011

Ultra Trail Serra da Freita - versão "só um cheirinho"

Recém chegado dos 17 km da Freita e, de momento, com preguiça para escrever, deixo-vos aqui algumas fotos de locais por onde hoje corremos, caminhamos e rastejamos.












domingo, 12 de junho de 2011

Uma pipa que não cheirava mal dos pés

- Aiii!

O pé direito deslizou ao longo da laje, fiz rotação ao corpo para tentar o equilíbrio e ainda fui amparado por um companheiro que vinha colado a mim, mas o joelho direito bateu forte no granito.

É continuar enquanto ainda está quente, mas com cautelas. Recomponho-me com a ajuda do Vitor, escalo mais esta parede deste por ora seco leito de um jovem curso de água que não teve ainda tempo de erodir os infindáveis e pontiagudos pedregulhos que preenchem toda a sua base. Dou um passo e o GPS apita mais um km – o mais lento de toda a minha vida, em torno dos 18minutos.

Bem sei que nele está incluída a paragem no segundo e último abastecimento (o único com sólidos), onde paramos um bom bocado pois tínhamos acabado de descer uma prolongada ravina xistenta, que tinha sido antecedida por um estreito e infindável trilho camuflado no meio de urze, giestas e penedos graníticos, o qual tinha sido precedido por uma interminável escalada ao longo de uma encosta pedregosa, árida e nua como uma careca, que por sua vez se nos tinha apresentado como contraponto a uma descida alucinante por um carreiro de terrarossa atapetado por inúmeros fragmentos calcários levemente pousados – autênticas armadilhas aguardando por um pé mais confiante.

A progressão mantinha-se lenta mas confiante, sempre atentos aos pontos conspícuos, agora que a prova já ia com 17 ou 18kms e não víamos nem ouvíamos vivalma. Enquanto fomos tendo companhia de outros atletas o padrão foi-se mantendo constante: ganhando algum terreno nas subidas, fugindo por completo nos poucos e curtos estradões e sendo ultrapassados nas descidas por um número de atletas directamente proporcional à perigosidade das mesmas.

A prova aproximava-se do final. Havíamos finalmente deixado para trás o rio de água em pó e seguíamos agora por um estreito e pedregoso carreiro já nas fraldas da serra e que haveria de nos conduzir a um último km de alcatrão que nos vomitaria dentro de Alvaiázere.

Chegados à estrada podemos por fim fazer aquilo que sabemos e há muito ansiávamos: alargar a passada. Após tantos kms detectamos finalmente um atleta ao longe e fomos no seu encalço. Passamos um, dois, três, quatro, cinco atletas e vimo-nos em frente ao pórtico que atravessamos confiantes, abraçados e de sorriso nos lábios.

Tínhamos acabado cumprir 21kms na nossa estreia na montanha, numa prova que ultrapassou em pouco as três horas. Estávamos satisfeitos e orgulhos por termos dado os primeiros passos que nos levarão um dia destes a ter o direito de reclamar fazer parte dessa casta de atletas.

Desligamos os frontais e encaminhamo-nos tranquilamente para a mesa de abastecimentos.

É que me tinha esquecido de dizer que a prova foi nocturna.


















Na foto, os outros dois grandes companheiros de viagem: os amigos Carlos Rocha e Joana Leite.

Quanto à pipa que não cheirava mal dos pés, é uma private joke, e ficou ali só para vos despertar a curiosidade e vos obrigar a ler a crónica até ao fim.

domingo, 8 de maio de 2011

Fim-de-semana desportivo

Após a estreia do fim-de-semana passado, respondi ontem pela segunda vez à chamada da Orientação, desta vez no Parque do Carriçal, numa prova em memória de Sálvio Nora.

Inscrito, tal como na semana anterior, no escalão Médio, farte-me de esperar, debaixo de chuva, pela minha vez de partir, pelo que, de forma algo atrevida mas vendo que era a única forma de partir de imediato e sempre com o pensamento de que alguém tem que ser o último, troquei a minha inscrição para o escalão Difícil e lá fui.

O ambiente que rodeia estes eventos, aliado ao facto de ser um desporto que combina o físico com o intelecto, sem ignorar a satisfação de ter ficado em 14º num total de 33 atletas, à frente de alguns federados, obriga-me a dizer, provavelmente de forma algo prematura, que já fui mordido pelo bicho da Orientação. Não se livrarão de mim.

Isso foi ontem, porque hoje desloquei-me na companhia do Vitor (parabéns por mais um recorde pulverizado) e do Luis Pires, a Cortegaça, para correr mais uma Meia. Foi preciso fazer 20 Meias para começar a ter algum juízo: comecei a um ritmo lento, talvez mesmo demasiado lento, e fui fazendo a prova de trás para a frente.

Terminei com o mais extenso e mais rápido sprint de que tenho memória, num modesto tempo de 1:39:07 – uma meia dúzia de minutos acima do meu recorde – mas de forma fisicamente tranquila. Os recordes são coisa do passado.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Porto On The Run

Numa altura em que, desde Janeiro, encerram 64 empresas por dia neste rectângulo esquecido aqui onde termina a tal de Europa, estes vossos amigos Vitor Dias e João Meixedo resolveram meter a mão na massa. Eis a nossa mais recente aventura.

A ideia nasceu no seio de um grupo de maratonistas que se considera privilegiado pelo facto de viver no Porto e que têm toda a satisfação em partilhar a beleza desta magnífica cidade com outros entusiastas da corrida que os visitem.

Porto on the run oferece percursos citadinos alternativos que se pretende satisfaçam o participante quer do ponto de vista turístico quer do ponto de vista desportivo, na medida em que se proporciona a oportunidade de sentir a cidade de um modo diferente do habitual e que se pretende seja entusiasmante e excitante.

Para os visitantes do Porto para quem a corrida constitui uma parte essencial da rotina diária, por mero prazer ou enquanto integrado na preparação para uma prova, Porto on the run oferece a possibilidade de cumprir esse plano de treinos explorando trajectos novos e interessantes.

We are a group of marathoners that have the privilege of living in this remarkable city and are pleased to share its beauty with other running enthusiasts that visit us.

Porto on the run offers alternative city tours that will please you both as a runner and as a tourist, since we will provide you the opportunity of experience our city in an exciting way.

If you’re traveling to Porto and running is an essential part of your daily routine, for mere pleasure or because you’re training for a race, we offer you the possibility to fulfill your running plan by exploring new and interesting routes.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Mais uma pérola ...

... deste local mal frequentado a que nos habituamos a chamar de país:

Ao contrário do que se passa com todos os outros desportos (e, já agora, com alguns alimentos) cujo iva se manterá nos 23%, o actual desgoverno prepara-se para baixar o iva relacionado com o golfe - esse desporto dos proletários e desfavorecidos - para apenas 6%.

sábado, 12 de março de 2011

Não é transcendente, não é complexo, não é irracional, bom, pelo menos é primo, e real, claro; e natural.

Toda a gente sabe como as necessidades da vida corrente exigem que, a cada momento, se façam contagens … se o homem vivesse isolado, sem vida de relação com os outros homens, a necessidade da contagem diminuiria, mas não desapareceria de todo …

Bento de Jesus Caraça

in Conceitos Fundamentais da Matemática – A contagem, operação elementar da vida individual e social


De que é que estava eu a falar? Ah, pois, já me lembro: do número 3.

3horas, 3minutos e 33segundos para fazer 33km (e meio J).

E agora vocês perguntam: o que é que o António Pinto tem a ver com a questão?

E eu returco: “qual é a semelhança entre um sacristão, uma escada e uma garrafa?”

E respondo: “entre o sacristão e a escada não há nenhuma semelhança e a garrafa é só para despistar”

Perceberam? Pois, a foto não tem nada a ver com o treino de hoje, mas nunca mais surgia um pretexto para colocar aqui esta foto do atleta português que desde sempre mais admiro*, de modo que inventei o pretexto.


*O que está ao lado dele é o António Pinto J

domingo, 20 de fevereiro de 2011

O maior cego é aquele que não quer ver

Planos de treinos para trás, planos de treinos para a frente, séries, ritmos, rampas, trotes, fartleks e companhia, tudo a bombardear infrutiferamente aqui o crânio do João sem resultado nenhum à vista que não seja a insatisfação permanente do dever incumprido.

De repente, hoje durante um treino, fez-se finalmente luz pelo que aproveito este espaço para patentear o Milagroso Plano de Treinos do Meixedo para a Maratona, também conhecido por Serviços Mínimos.

Então cá vai a versão mais recente do secreto treino de três treinos por semana:

Terça-feira: 10 a 12 km

Quinta-feira: 15 a 16 km

Domingo: 20 a 30 km

Os ritmos são à escolha do freguês. Se apanhar subidas, suba, se apanhar descidas, desça, se não, não.

Esta semana cumpri à risca: 11, 15 e 23km, respectivamente. Finalmente de consciência tranquila.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Marx morreu, Engels também e mesmo eu já não me sinto muito bem

A oito semanas da próxima maratona mantém-se o religioso incumprimento do plano de treinos, com a tendência dramática espelhada no gráfico abaixo (em que temos em ordenada os quilómetros e em abcissa as horas) referente às últimas quatro semanas.


É nesta alturas que expressões tão profundas como “dedica-te à pesca”, “devagar se vai ao monge” ou mesmo “o hábito faz o longe” parecem fazer todo o sentido.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Um dia muito especial


Hoje, na 1ª Corrida dos Reis em Gaia, tive o privilégio de lançar no atletismo amador o meu irmão mais novo. O objectivo foi simples de definir: não o largar do primeiro ao último metro e assegurar que chegaríamos ao fim antes de acabar o chá e o bolo-rei.

Dada a partida deixamos avançar a marabunta e posicionamo-nos calmamente na cauda do pelotão. Deixei o Jaime definir um ritmo que lhe fosse confortável, que na primeira parte da prova andou sempre muito próximo dos 6min/km, mas sem lá chegar.

À passagem do 6º km e após verificarmos que já não havia água para distribuir

aos atletas da cauda do pelotão o rapaz desmoralizou um pouco e passamos a rolar em torno dos 6:30 até que, à vista da placa dos 9km o meu irmão soltou um sonoro “já só falta um, é agora!” e repentinamente acelerou para um quilómetro que viria a ser realizado a 5:30. Pela primeira vez em toda a prova, começamos a ultrapassar atletas um a um, ganhando com isso cada vez mais alento.

A uns 10m da meta alcançamos o Miguel Marujo e cortamos os três a meta abraçados, num registo não oficial de 1:01:59.

Já ao cair do pano recebo a notícia de que o amigalhaço Vitor bateu o seu recorde na distância.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Aloha

Depois de, no site da Maratona de Honolulu, ter lido esta notícia, fico proibido de me queixar acerca de lesões e outras preocupações.

A senhora da foto, com a bela idade de 92 anos tornou-se na menos nova atleta a cumprir uma maratona (em menos de 10 horas), batendo assim o antigo recorde de uma jovem Escocesa de 90 anos.

Mas não se pense que Glady é uma estreante, nada disso; ela já anda nisto desde os seus 86 anos, idade em que se estreou na distância mítica.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Começar o ano da melhor forma


Catorze quilómetros de bicla em Vilarinho das Furnas, para cumprimentar o novo ano:
... foi curto mas duro, tendo em conta que o pedalador mais novo tinha apenas 7 anos mas resistiu a subidas e descidas, terra, asfalto e paralelo.

Seguiu-se um treininho de uma hora de corrida com três dos resistentes, constituído por 3 voltas à aldeia:
... foi duro porque a rebarba era grande (a noite anterior foi dormida muito depressa ...).
Mas levamos as T-shirts do clube para impressionar cabras e ovelhas.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

E lá se foi mais um

Alguns números e algumas curiosidades em jeito de balanço telegráfico para não pregar grande seca aos visitantes:

Início do ano da melhor forma, com um treino de uma hora, seguido de um banho de mar logo no dia primeiro;

1622 Km calcorreados (menos 730 do que no ano anterior);

3 Maratonas e 3 tempos de treta em 3 contextos atlético/logístico/emocionais completamente distintos (Paris, Adelaide e Porto);

1452 Km já pisados com estas meninas nos pés

35 Km no mês mais sedentário (Julho) e 210 no mês mais agitado (Novembro);

Uma primeira prova na areia: a Meia da Costa da Caparica a pretexto de mais um encontro blogger;

Um descolamento de um tal de tendão isquiotibial (ou coisa que o valha) do osso da bacia, que me acompanhou o ano todo e que ainda cá mora;

Um maldito torneio de futebol de 7, de Janeiro a Março, que me agravou tudo o que era lesão;

Os meus ritmos cada vez mais lentos, com tempos em provas a milhas dos meus pobres recordes;

A minha 8ª Volta a Paranhos, escapando-me a meio da sessão de abertura de um congresso do qual era organizador e que decorria a 2 km da partida, para regressar já de banhinho tomado antes do final das sessões da manhã, sem que nenhum dos participantes se tivesse apercebido;

Fechar o ano com uma S. Silvestre sem igual, com 120 atletas da equipa PortoRunners a correr em bloco, e ainda deu tempo para ir com o Vitor beber um fino* ao café Pombal e voltar à prova sem que ninguém desse por ela.


* para quem more a sul de Espinho, um fino é assim uma espécie de imperial, mas de Super Bock.

domingo, 5 de dezembro de 2010

O Leão mostra a sua raça


Depois da sua estreia em Boston 2009, com um tempo de 3h09min, o Leão Paulo Martins terminou hoje a sua segunda Maratona, desta vez em Lisboa, com um registo de 2h52min.

Aí o vemos em grande forma a liderar um grupo de atletas, numa outra prova, pois se estivesse à espera das fotos e da classificação oficial da xistarca, talvez conseguisse publicar o post lá por alturas da Páscoa.

F5: afinal a Páscoa chegou mais cedo: 19º lugar!

Entretanto, há mais heróis:

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

E vão seis!

Segunda-feira. Nove da manhã. Frio, chuva e vento. Arranco lentamente do Jardim do Cálem e vou rolando sem pressas em direcção à Foz do Douro. Na Cantareira quase levanto voo.

Assaltam-me pensamentos variados. Uma sucessão de imagens da minha memória recente que se vão atropelando. O puzzle vai sendo lentamente montado. Dou-me conta de que me não doem as pernas. Nenhum músculo reclama. À excepção do já famoso isquiotibial, a máquina parece-me em condições.

Vou progredindo contra a nortada e tentando perceber se a Maratona da véspera me correu bem ou mal. A primeira conclusão é a de que o excesso de confiança me fez relaxar em demasia. Dever-se-ia ter imposto alguma tensão. Não muita, apenas qb. Ainda o primeiro quilómetro não estava cumprido e já tinha que dar um nó no abono de família. Em busca de um local discreto perdi companheiros de jornada. Cronometrei um minuto e dez de alívio. Recordo-me que abalei Avenida da Boavista abaixo em busca de ritmo e de companheiro de luta, e de que rolei entre os 4:45 e os 4:55 até aos 20km. Tive que novamente trocar a água às azeitonas, numa altura em que rolava na companhia do Mesquita, que tinha alcançado por volta do km 16 e com quem seguia em bom ritmo.

Perdi o Mesquita e perdi o ritmo. Passei a meia com 1:43. Rolava agora entre os 5:05 e os 5:10 e assim me mantive até ao km 28 onde, à porta de casa, tinha a família à minha espera e onde recolhi um tubo de gel que partilhei com uma atleta que acabava de alcançar e que me parecia em dificuldades. Retorno no Freixo, nova passagem à porta de casa e mais um gel para o bolso.

Tinha agora a companhia da tal colega de jornada e parecia que nos íamos entender bem. Rolamos 2 ou 3 quilómetros em torno dos 5:15 e chegamos ambos a pensar que tínhamos parceria para levar até ao final da prova, mas à saída do túnel da Ribeira encontro o Vítor em dificuldades e sem hesitar paro.

Estava com dores musculares e com ele alonguei um pouco. Arrancamos para logo adiante pararmos no abastecimento da Alfândega. O quilómetro era o 32 ou 33 e o local o mesmo onde na edição do ano anterior tinha largado o Miguel, com quem rolava desde o início da prova, para terminar com 3:25.

Se encontrei o tal muro? Não sei mas acho que não. Sei que a partir daí não mais parei mas também não mais consegui correr abaixo dos 5:30. Sei também que não sonhava desesperadamente com a meta.

Terminei com o habitual sprint, com um tempo final de 3:39. Mais 15 minutos do que o meu melhor tempo e menos 11 que o meu pior. Concluo que apesar que estar a contar com um tempo na casa dos 3:35 a coisa até nem correu nada mal.

Trago agora o vento pelas costas e rolo sem dificuldade a um ritmo acima daquele que seria aconselhável. Termino as minhas reflexões no momento em que avisto o Clube Fluvial Portuense. Um mergulho, umas braçadas e que bem me sinto.

O que eu andava a perder quando só andava aos chutos à bola!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Parque + Gramido & back

Com os Porto Runners Vitor Dias, Luis Pires, Alexandre Caramez, Nelson Sousa e Joca.


quarta-feira, 22 de setembro de 2010

No worries mate

Quando há uns anos assisti entusiasticamente aos episódios transmitidos pela BBC da magnífica aventura From Pole to Pole do brilhante Michael Palin, nunca imaginaria que dali a uns anos alguém a faria a correr.

Vejam o vídeo do ultramaratonista australiano Pat Farmer que para cumprir tal desiderato se propõe correr diariamente e sem um único dia de descanso 80 a 100 dos 13.000km que separam o Pólo Norte do pólo Sul.