quarta-feira, 26 de maio de 2010

Limite? Qual limite?

Vem estas linhas a propósito de um recente debate que espontaneamente tem vindo a ocupar lugar nos meus treinos conjuntos de fim-de-semana (sim, porque nós os que rolamos a 5:40 aproveitamos a corrida para pôr a conversa em dia), e que a pretexto dos recentes 101km de Ponferrata onde participaram duas mãos cheias de amigos e conhecidos, e dos muito próximos 89km da Comrades onde participarão 5 bravos PortoRunners, se estabeleceu em definitivo: as ultras e os ultras.

O assunto tem vindo amiúde à baila, sendo que do aplauso à crítica, passando pela indiferença, ouve-se de tudo um pouco. Se aos indiferentes lhes reservo iguais sentimentos e aos que aplaudem me junto para engrossar o pelotão, cumpre-me rebater os argumentos dos críticos.

Não sendo indiferente aos múltiplos relatos, lidos ou ouvidos de viva voz, relativos aos mais variados sofrimentos que vão desde as simples cãibras e dores musculares até desmaios, desidratações, perdas de visão, enfim é melhor parar por aqui porque já estou a fornecer demasiados argumentos ao inimigo. Não sendo indiferente a essas realidades, dizia eu, a verdade é que tudo se resume a uma questão de escala; senão vejamos: actualmente, lesionado e com falta de tempo, faço um treino por semana, sendo que no mês passado fiz uma maratona, tendo o meu plano de treinos consistido em rolar de longe a longe a 5:30-5:40. Já este mês, ainda lesionado, fiz um treino de 27kms e uma meia-maratona na areia.

Porque é que me apelidam de herói, ao contrário do que fazem aos meus amigos ultra-maratonistas, que cumprem rigorosos planos de treino e fazem uma vida regrada, com alimentação e descanso cuidados? Bom, fico-me por aqui; já me estou a esticar demais. Deve ser dos taninos, mas estas tripinhas estavam mesmo a pedi-las.

Quanto à tal de areia, posso dizer-vos que foi um fim-de-semana magnífico, mas poupo-vos a pormenores que para além de chegarem a destempo já estão mais que relatados um pouco por toda a luso-blogolândia corredora.


Na véspera, com os amigos Joaquim, Mark, Vitor, Rui e Fernando.

A embaixada nortenha, já representada na foto anterior, onde apenas faltava o Francisco, que se tinha colocado atrás da câmara.

Os CyberRunners antes da partida.

A prova.

O que fica.

terça-feira, 4 de maio de 2010

da Comrades à cafeína

Do plano de treinos para Ultra-Maratona Comrades, que 5 bravos Porto Runners irão levar a cabo este mês na África do Sul, faziam parte 8 maratonas, sendo que a última deveria ter lugar no passado fim-de-semana.

Não havendo nenhuma no calendário, decidiram-se por organizar a “1ª Maratona no Parque”.


Para tal mediram o perímetro do Parque da Cidade do Porto e concluíram que 10 voltas chegariam e sobrariam para cumprir tal distância.

Anunciaram que partiriam às 8:10 da matina, convidando quem quisesse para lhes fazer companhia numa ou mais voltas.

A iniciativa teve um sucesso ímpar, tendo tido fases com cerca de meia centena de participantes, onde para além de muitos atletas de pelotão participaram também nomes consagrados do atletismo como Rosa Mota e Paulo Catarino.

No que à minha participação diz respeito, desloquei-me tarde ao Parque e as 3 voltas previstas acabaram por duplicar, tendo feito as 6 últimas, num total de 27km, acompanhando assim até à linha final uma dúzia de resistentes.

Um excelente treino que espero seja um embrião para algo mais. Já vai sendo tempo do Porto Runners tomar uma prova como sua.

Entretanto, ontem à meia-noite esperei que o site da Maratona de Londres se transformasse em abóbora e mandei para lá a medida do meu pé, a ver se encaixa no sapatinho.

Agora é esperar por Outubro e fazer muitas figas.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Solidão no meio de 40.000

Há milagres. Qualquer bípede pode concluir uma maratona.

Noite mal dormida. Despertar às 6:00.

Pequeno-almoço com o Mark e partida para o Arco do Triunfo.

Luís Mota de grilo. Fomos aos sacos.

Stress. Frio. Vai doer? Vou aguentar?

Último abraço. Eu: “ – vai forte!”; ele: “ – vai com calma”. Nenhum de nós proferiu as palavras ao acaso. Ao Mark, com um registo de 3:00:02, faltavam-lhe uns segundos para entrar na hora dois; eu, com treinos morrinhentos e uma lesão a atormentar-me, só queria terminar e, de preferência, abaixo das quatro horas. Se não vos apetecer ler mais adianto-vos já que ambos conseguimos, à tangente, os nossos intuitos.

Emoção contida.

Poupo-vos àquilo que todos vocês conhecem: o frio, a solidão, o nervosismo, a dúvida e, pela primeira vez numa situação deste tipo, a vida extra-atletismo a passar-me insistentemente pela cabeça, a estacionar na minha cabeça.

O tiro. Nada acontece.

Uns passos. O chão repleto de lixo.

Que faço eu aqui?

Mais uns passos.

8 minutos passados e lá está a linha de partida.

Começo a correr. Uma perna à frente da outra. Não me consigo decidir por um ritmo. Vou muito rápido. Agora muito lento. Que faço eu aqui?

Passa o primeiro quilómetro: 5:18. Não consigo decidir se é lento ou rápido. Deixo-me ir na corrente. Segundo quilómetro a 5:20. Vejo uma bandeira nacional e grito Portugal! “ – Força Meixedo!”. Era a Susan, esposa do Luís Mota.

Lá vou indo entre os 5:00 e os 5:10, até que no quilómetro 9 não aguento mais e tenho que procurar um local discreto para mudar a água às azeitonas. Arranco e esse quilómetro bate a 5:30. Decido recuperar o tempo perdido, mas não chego a fazer 200 metros sem que sinta uma forte picada no tendão, e a perna a prender. Grito um palavrão com todas as forças que tenho. Lágrimas.

Que faço eu aqui?

Páro. Lágrimas.

Arranco lentamente e esse quilometro ainda bate a 4:40. Nem imagino a que ritmo ia quando senti a picada.

Dói mas aguento. Aguento até ao final dos 43.240metros, porque ela nunca mais me abandona.

Estabilizo e entre os km 10 e 26 rolo entre os 5:05 e os 5:10. Sofro mas estou satisfeito.

Por volta do quilómetro 27 sinto repentinamente que as pernas têm vontade própria e que correr não está nos seus planos.

É uma situação nova, para mim, que sempre parei ou abrandei por falta de fôlego, seja lá isso o que for. Desta vez não é o pulmão. Não é o coração. Não me sinto esgotado, mas as pernas não correspondem.

Nos 10 quilómetros seguintes vejo-me aflito para rolar abaixo dos 5:40 e chego mesmo a registar dois quilómetros acima dos 5:50.

QUE FAÇO EU AQUI?!

A partir do quilómetro 37 consigo impor-me às minhas pernas e rolei sempre em torno dos 5:25.

O meu habitual sprint final limitou-se a uns meros 200m, tendo terminado com 3:50:27.

Para meu desespero fiz 43240m, a um ritmo médio de 5:19. Com esse ritmo, em 42195m deveria ter registado um tempo de 3h44min. Mas isso é o condicional e como todos sabemos, se a minha vizinha de baixo tivesse rodas seria um camião TIR.

Terminei, mas com o meu pior tempo de sempre. Sem treino não há milagres. Continuo ateu.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Objectivo …

… ora bem, objectivo …, objectivo …?

Chegar ao fim? Talvez.

Entre a preparação e poupar a lesão, optei pela segunda.

Há quinze dias fiz o suposto treino de 3 horas (que nem lá chegou) e andei dois dias a mancar. Literalmente a arrastar a perna.

Ontem corri meia horita e sentia as pernas pesadas (e a pança também, aleluia, aleluia…), mas há dois dias que não me dói o tendão.

Espero andar a 5:40, nunca baixando dos 5:30, mesmo que não tenha dores. Se tudo correr bem deve dar para passar a meia entre 1h55min e as 2:00h e terminar a bater nas 4:00h, mas de preferência sem as passar.

Se miraculosamente nada me doer e sentir força, logo se vê, mas nunca apertarei antes dos 30km, que é a tal de barreira que me dá gozo superar.

De qualquer das formas, o maraturismo já ninguém mo tira, a menos que caia o avião.

Fica aqui uma actualização do meu milagroso – ou desastroso, a ver vamos – programa de treinos:


Aqui fica também a lista dos maduros-tinto que me foram acompanhando os almoços e jantares desde o dia zero, para que quem queira seguir este plano milagroso o possa fazer de forma absolutamente rigorosa:

Kopke (Douro), Pegões (Península de Setúbal), Chaminé 2005 (Alentejo), Vinha do Meio Queijo 2007 (Douro), Cadão-reserva (Douro), Quinta da Póvoa-espumante (Bairrada), Borba (Alentejo), Serras de Azeitão (Península de Setúbal), Mouras de Arraiolos - Cabernet Sauvignon 2007 (Alentejo), Duorum 2007 (Douro), Encosta de Sabrosa 2004 (Douro), Castello d'Alba Reserva 2007 (Douro), Montes Ermos 2008 (Douro), Quinta do Grifo reserva 2004 (Douro), Duas Quintas 2007 (Douro), Herdade dos Templários 2005 (Ribatejo), Quinta do Côtto 2005 (Douro).

domingo, 4 de abril de 2010

Aleluia, aleluia …

… uma Maratona no Algarve.

De facto, era incompreensível que num país tão pequeno e com apenas 4 maratonas (há uma em Porto Santo, que passa algo despercebida), duas delas (50%!) se realizassem na mesma cidade. O desfecho da Maratona Carlos Lopes era não só esperado, como desejado.

Todos os que de forma mais ou menos intensa, de forma amadora ou profissional, temos alguma ligação ao atletismo, por mais ténue que ela seja, clamávamos por uma Maratona no Algarve, onde existem óptimas condições climatéricas, voos low cost, e uma importante comunidade residente de estrangeiros comedores de massa oriundos de países com tradições maratonistas.

Finalmente parece que ela, a tal Maratona do Algarve, vai ver a luz do dia, mas desenganem-se os amadores que como eu precisam de um intervalo considerável para recuperação entre maratonas, porque com 12 meses no ano e com as Maratonas do Porto e de Lisboa espaçadas apenas de um mês, a inefável xistarca resolveu colar-lhes também a do Algarve, de modo que no espaço de 2 meses ficam as 3 arrumadas. Brilhante!

sábado, 20 de março de 2010

Tá ali, pá, em baixo do lado direito



(o post lá de baixo continua com actualização permanente)

quinta-feira, 18 de março de 2010

Séries?!!

O Dr. House, o American Dad ou o Family Guy é do que a malta gosta, cá em casa.

Já sei, já sei, e como dizia um amigo meu: “pôrra, pá, pareces uma gaja, sempre a queixares-te!”

Bom, cá vai mais uma história, sem moral no fim, já vou avisando.

30 minutos de aquecimento a um ritmo muito lento, uns alongamentos mais para aproveitar o descanso do que por outro motivo mais nobre e eis que me preparo para, a contragosto, fazer umas rectazitas de 200m. Sai-me a primeira a 3:00min/km; rolo lentamente durante outros 200m e atiro-me com mais calma para a segunda e faço-a a um ritmo de 3:14; repito o descanso e a terceira já me sai a 3:17. Decido que faço apenas mais uma e paro. Nem sei que ritmo deu, mas sei que demorou para aí uns 10minutos, que foi o tempo que demorei a chegar mancando ao carro depois de o tendão ter cedido a meio da última série!

A maratona a 25 dias e eu sem saber quando consigo voltar a treinar. Isto já para nem falar do treino de 3horas que tinha agendado para domingo.

Ficam, pois, desde já todos autorizados a dar-me uma tareia se algum dia me virem a fazer séries.


Desloque o cursor para cima da imagem e pressione o botão esquerdo do rato (ou, utilizando novilingua "quelique na image"), para descontrair.

sexta-feira, 12 de março de 2010

O tal miraculoso e não menos famoso programa de treinos do Meixedo, ou como fazer uma Maratona treinando apenas 5 semanas. *




Entretanto vou acrescentando a lista dos maduros-tinto que me vão acompanhando os almoços e jantares desde o dia zero, para que quem queira seguir este plano milagroso o possa fazer de forma absolutamente rigorosa:

Kopke (Douro), Pegões (Península de Setúbal), Chaminé 2005 (Alentejo), Vinha do Meio Queijo 2007 (Douro), Cadão-reserva (Douro), Quinta da Póvoa-espumante (Bairrada), Borba (Alentejo), Serras de Azeitão (Península de Setúbal), Mouras de Arraiolos - Cabernet Sauvignon 2007 (Alentejo), Duorum 2007 (Douro), Encosta de Sabrosa 2004 (Douro), Castello d'Alba Reserva 2007 (Douro), Montes Ermos 2008 (Douro), Quinta do Grifo reserva 2004 (Douro), Duas Quintas 2007 (Douro), Herdade dos Templários 2005 (Ribatejo), Quinta do Côtto 2005 (Douro).

* posta em permanente actualização, pelo menos no que ao maduro tinto diz respeito. De notar que repito muitos dos vinhos, pelo que a falta de actualização não significa abstinência.

domingo, 7 de março de 2010

Maratona de Paris – dia zero

Poupo-vos a mais lamentos sobre como a falta de tempo, as lesões e os tendões, as gripes e as constipações me fizeram reconsiderar Paris; até que um amigo pôs hoje termo aos meus carpidos.

Pois é, diz o povo na sua imensa ignorância que eles são para as ocasiões e foi o que aconteceu: o Vitor apareceu-me hoje à porta de casa com um ultimato e lá fui eu, 14 dias depois do último treino, arrastar-me durante mais de hora e meia ao longo do magnífico Douro.

Bom, uma vez que estamos a exactamente 5 semanas da Maratona, já não vale a pena tentar qualquer programa de treinos, pelo que vou fazer o contrário: treinar quando e como puder, anotando tudo. Se no dia 11 do próximo mês conseguir concluir a Maratona, passo-vos o miraculoso e não menos famoso programa de treinos do Meixedo, ou como fazer uma Maratona treinando apenas 5 semanas.

Amanhã acordo às 7:00 e chego a casa pelas 23:30, mas na terça a ver vamos se arranjo um buraco no horário para treinar.

Obrigado, Vitor.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Boas notícias


A minha narina esquerda está desentupida.


Mais um mês finda e só treinei 5 vezes.

70 míseros quilómetros, contra os 200 que constituíram a média mensal em 2009.

Tendo em conta que no mês passado apenas treinei 120km, não há dúvida de que a minha ida a Paris vai ser em grande. Com o hotel e as viagens já pagos, no mínimo vão vão ser umas belas mini-férias.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

1º Grande Prémio de Braga, ...

... que é como quem diz "de casa do Jorge a casa do João".


Entretanto está na cara porque é que a lesão não se vai *.


*(e foi 4-2, não 4-1 como diz no título)

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

– Tou sim?

Paulo? Estás a ouvir-me?

– É o Meixedo, pá ; é só para te dizer que já me convenceste; marca lá o próximo treino na Serra de Valongo.




domingo, 31 de janeiro de 2010

Notícia de antepenúltima hora


Marisa Barros segunda classificada na Maratona Feminina de Osaca (Japão), com novo recorde pessoal: 2:25:44. Pelas minhas contas, tirou 19 segundos ao seu anterior melhor tempo e está já a apenas 35 segundos do recorde de Manuela Machado. Para chegar-se ao tempo da Rosa Mota ainda tem que pedalar mais um bocadito.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A correr muito ...

... para a Fundação Cupertino de Miranda, porque a feira do livro termina já no próximo sábado às 20:00.


Ó senhores corredores, fica num local que bem conhecem: em frente à entrada sul do Parque da cidade do Porto e tem estacionamento gratuito e tudo.

Passei por lá de fugida e trouxe 11 livros por 39€.

O mais barato: 1,5€
O mais caro: 8€.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Cozido à Portuguesa das fraldas da Serra d’Arga, com uma Meia Maratona de permeio

O cozido estava perfeito, a companhia do melhor que há e o enquadramento paisagístico não deixou ninguém indiferente. Já havia quem fizesse planos para deixar a cidade e procurar um lugar para montar acampamento permanente (o maduro tinto também terá ajudado às deambulações) ali para aquelas bandas do Alto Minho.

Da mesma forma que aponto o dedo acusador quando me sinto indignado também me levanto para aplaudir quando a situação o merece: excelente organização, com os quilómetros bem marcados, com indicação do tempo de corrida a cada 5km, com placas avisadoras de abastecimento a 100m, e com um saco final bem recheado. Só falhou em não me responder ao email perguntando se haveria possibilidade de chuveiro no final da prova, pelo que suspeito que não me quiseram responder que seria apenas para estrangeiros, ficando os portugueses e os galegos excluídos.

Quanto à prova, correu bem, atendendo a que ontem mancava e que o tendão ainda não me deixou em paz e que à excepção de um recente treino de 15km a 5:40, só tenho rolado 30 a 40minutos 2 a 3 vezes por semana. O Vitor, que esteve completamente parado durante 15 dias, devido a lesão, fez uma prova com início mais cauteloso indo apanhar-me ao km 18 e ainda se dando ao luxo de ficar 10s à minha frente (para a próxima regressa ao Porto à boleia!), terminando ambos no minuto 39 (mais uma hora, claro). Não foi bom nem mau, antes pelo contrário.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Três pontes, quatro tabuleiros, quinze quilómetros.

Sozinho: casa + pte D. Luiz I (travessia do tabuleiro inferior) + pte da Arrábida (travessia) + pte D. Luiz I (travessia do tabuleiro superior) + pte do Infante (travessia) + casa.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Entrar o ano com o pé direito …

… e sair do mar sem o sentir (nem ao direito nem ao esquerdo).

Grande iniciativa esta dos Porto Runners, que consistiria supostamente num treininho de meia hora só para aquecer, e que acabou por se transformar num treino de uma hora, seguido de um mergulho no Atlântico.

Enquanto aguardávamos que abrandasse o aguaceiro contei 22 atletas, mas no final estavam lá alguns rostos que não tinha visto no início. Seríamos perto de 30.

Durante o treino, a chuva e a ressaca deram as mãos e puseram-se a milhas para cederem lugar a um solzinho tímido mas reconfortante.

Quanto ao mergulho, não custou nada, pois não estávamos ali para hesitações. Com a toalha e a mochila em pontaria, supunha que sairia da água a bater o dente e a correr para o agasalho. Puro engano: o nosso corpo é algo admirável e a reacção térmica é surpreendente. Já fora d'água ficamos uns bons 10 minutos à conversa antes de calmamente nos dirigirmos para as toalhas.

No final, o chazinho, de que alguns mais precavidos se lembraram, foi um tónico reconfortante.

Fotos gentilmente cedidas por Pedro Amorim e abusivamente publicadas por João Meixedo.

domingo, 27 de dezembro de 2009

S. Silvestre – Jornada dupla


Correr cerca de 30 minutos, três vezes por semana. Pode ser mais um bocadinho ou menos um bocadinho, sendo que o limite é a dor. Tente correr o mais a direito possível em terreno plano e absolutamente liso. Está proibido de fazer séries.

À cautela inscrevi-me na de Gaia e na do Porto. À primeira fui ontem à segunda fui hoje. Não digam nada ao médico. A Gaia ainda não chegaram os GPSs, nem as fitas-métricas, nem os conta-quilómetros, nem os conta-

passos, enfim a distância é, em pleno século XXI, ainda um mistério. Arranquei rápido, parei com dores ao fim do 2º km, andei a passo e lá fui retomando o ritmo, para terminar com 48:51 e uma média de 4:28 (qual terá sido a distância?). Salvou-se o tempo, que se manteve frio mas seco, e o chazinho e o bolo-rei que no final é oferecido a todos os atletas, inclusive aos portugueses.

Aqui na da Invicta o céu já foi outro e começou mesmo a chover cinco minutos antes do tiro de partida. As dores aconselhavam-me a ficar em casa à lareira, mas esta é uma prova muito especial, e ainda por cima seria a minha 9ª participação, pelo que lá fui. Afinal não doeu e terminei com 45:21 e a mesma média da de Gaia. Há coisas fantásticas, não há?

Entretanto o Leão Martins corria, à mesma hora, a S. Silvestre da Central de Compras e batia o seu recorde dos 10km com o brilhante tempo de 36:04 e um magnífico 52º lugar.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Endorfinómano, he said

Que tinha sido uma desinserção do tendão; isto é: que o tipo se tinha soltado do osso da bacia, mas que a tendência seria para se voltar a agarrar; pelo que ele prescrevia actividade física moderada, para que o tal protagonista não perdesse elasticidade e, mais a mais, estava-se mesmo a ver que eu era endorfinómano.

Analisemos então o insulto: a endorfina é uma substância natural produzida pelo cérebro em resposta à actividade física, com o objectivo de relaxar o organismo e prevenir a dor, pelo que provoca sensação de bem-estar e euforia, mais ou menos moderada.

Todos os praticantes de actividade física regular conhecem a sensação de, em determinada fase do exercício vermos o cansaço e a dor muscular substituídos por um inegável bem-estar, uma mistura de euforia e prazer, que proporcionar uma impressão de paz interior e uma certa e tranquilidade.

Ora aí surge o tal de endorfinómano, que tanto abrange o viciado em actividade física, que no caso de parar sofre crise de abstinência, como aquele que vai intensificando cada vez mais o exercício à procura da tal euforia.

Pois é, apesar de as endorfinas melhorarem a memória, o estado de espírito e o sistema imonulógico, de aumentarem a resistência e a disposição física e mental, de bloquearem as lesões nos vasos sanguíneos, aliviarem a dor e terem efeito antienvelhecimento – tudo coisas perniciosas, como se vê – eu arrisco e continuo a apostar nessa droga, pelo que após 9 dias sem treinar saí hoje pelas 7 da matina, ainda a cidade dormia, para um treino necessariamente curto de 45 minutos, ao longo do rio Douro.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Post não autorizado

E o Luís Pires !? Um homem bom do Norte,
Indo da Invicta correr à Capital,
Perguntam-lhe p’la origem? Passaporte?
Contra tudo o que lhe é habitual.
Ainda barafusta, faz-se forte,
Por só q’rer conviver com o pessoal,
Mas vem o director com a chalaça
Que só “camones” têm direito à massa!

Começou o Luís a ter visões
E à sua frente “erguem-se” figuras
De cores garridas, enormes botões,
Estranhas roupagens e lentes escuras,
Nariz de bola, cor dos lampiões
E a faltar peças na dentadura.
Então, grita o Meixedo, com desdém :
“-Mas isso é maratona ou circo Chen!?”

Fernando Andrade

domingo, 13 de dezembro de 2009

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Uma volta muito especial

Especial sempre foi esta prova, na qual me estreei em 2000, na 43ª edição, com um honroso tempo de 47:05, no ano em que pela primeira vez meti pés à estrada para participar em corridas populares.

Esta minha 7ª participação foi feita em condições físicas que me aconselhariam mais a ter ficado em casa a repousar. Bom, na verdade, se tivesse faltado à chamada, o que provavelmente teria acontecido teria sido conduzir até Penafiel para ver um jogo de bola.

Este foi ano de caldeirada emocional. Deixei o puto no Olival às 7:30 da matina e rumei o mais lentamente que consegui para Paranhos, onde cheguei pelas 8:00, e onde a calma própria de uma rua cortada ao trânsito, numa fria manhã de um dia feriado, contrastava com uma súbita agitação interna que se começava a instalar.

Era impossível não me recordar da edição de 2005, ano em que convenci dois dos meus irmãos a fazer-me companhia, e de como durante a prova e para evitar a desistência de um deles ao fim do primeiro quilómetro, rolei a 6:15min/km. Foi a última vez que ele fez exercício físico: na terça-feira seguinte não apareceu no treino de futebol, e na quinta-feira também não. Vai daí, nunca mais tento convencer ninguém a correr. Há um ano que não o vejo. Tenho saudades.

Era impossível não me recordar de como o Salgueiros foi este ano buscar o meu miúdo a um torneio de futebol de rua, o recebeu de braços abertos, lhe deu estatuto titular, e de como passados dois meses, e não resistindo a um assédio de um clube dito maior, os deixei sem guarda-redes a uma semana do início do campeonato. Confesso com mágoa esta pedra no sapato.

Era impossível olhar este cenário de cidade bombardeada e não me emocionar

Enquanto conseguir colocar um pé à frente do outro, nunca deixarei de participar na Volta a Paranhos.

Longa vida ao Salgueiros!

fotos aqui e aqui.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Hospitalidade

Através do meu amigo Paulo Rodrigues fiquei a saber da aventura do ultra-maratonista Serge Girard, que se propõe fazer 25.000km non stop em volta de toda a Europa, ao longo de um ano.

Também por sugestão do Paulo surgiu a possibilidade de acompanhar o Serge, durante alguns kms, quando ele passar pelo Porto.

Entrei em contacto, via email, e recebi como reposta que a passagem dele pelo Porto deverá acontecer já na próxima segunda-feira, dia 7 de Dezembro (o homem faz entre 70 e 80km por dia), não se sabendo ainda qual o percurso que ele seguirá.

Bem sei que é dia de semana, mas é véspera de feriado, pelo que quem estiver a prever fazer ponte poderia juntar-se ao pelotão. Também sei que é véspera da Volta a Paranhos, mas meia hora de corrida não vai interferir com a prova de ninguém.

Estejam atentos às últimas, porque ficaram de me enviar mais pormenores.

Entretanto vou tentar correr 10 a 15 minutos hoje, para ver como reage a minha perna.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

A maratona, a lenha e o macho – variáveis aparentemente não correlacionadas


Numa idade em que já não tenho grande margem de progressão em termos de tempos, tinha apontado a Volta a Paranhos como uma da últimas possibilidades de tentar baixar do minuto 42 na distância de 10k.

Indo contra os meus mais profundos princípios, confesso-vos que até cheguei a fazer séries, logo por duas vezes e no espaço de uma semana!

A coisa prometia, até que a invernia do fim-de-semana me fez ir à arrecadação buscar uma cesta de lenha. Seguro a porta do elevador com a mão e, com o pé encostado à cesta, tento empurrá-la, mas ela nem um milímetro se mexe.

Um daqueles ímpetos à macho latino apodera-se de mim e juro-vos que ouço uma voz que diz “num te mexes o carago”! Cerro os dentes, transfiro toda a minha força para a perna esquerda e vai já a cesta com cerca de meio metro de viagem quando sinto uma dor aguda na perna, no contorno da nádega e na virilha até muito próximo do abono de família.

Ando para aqui a mancar, há 4 dias sem treinar e sem perceber se é musculo, nervo, tendão ou osso, ou se é uma grande caldeirada.

Moral da história: pelo menos não foi por uma cesta de robalos.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Apenas um número

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Não é transcendente, não é complexo, não é irracional, nem sequer é primo. Bom, é real, par e natural.
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“Toda a gente sabe como as necessidades da vida corrente exigem que, a cada momento, se façam contagens … se o homem vivesse isolado, sem vida de relação com os outros homens, a necessidade da contagem diminuiria, mas não desapareceria de todo …”
Bento de Jesus Caraça
in Conceitos Fundamentais da Matemática – A contagem, operação elementar da vida individual e social
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De que é que estava eu a falar?
Ah, pois, já me lembro: 2222 kms corridos durante 2009 e completados hoje.
É só isso.
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Bom fim-de-semana e boas corridas.
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domingo, 22 de novembro de 2009

É só, … um treino com os Porto Runners

– É só até ao Fluvial.
. (e lá fomos).

– Pelo menos até à Pte. Da Arrábida.
. (e lá fomos).

– Dar a volta aqui? Vamos a Massarelos!
. (e lá fomos).

– E se fossemos beber água à Alfândega?
. (e lá fomos).

– Há aqui pessoal que nunca foi à subida d' Arrozeira; e se fossemos baptizá-los?
. (e lá fomos).

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Fazer 10 kms como quem faz piscinas



Apresento aqui a minha mais sincera solidariedade a todos os nadadores e, já agora, também aos atletas que treinam no tapete.

ia virando o barco!