– Paulo? Estás a ouvir-me?
– É o Meixedo, pá ; é só para te dizer que já me convenceste; marca lá o próximo treino na Serra de Valongo.
– Paulo? Estás a ouvir-me?
– É o Meixedo, pá ; é só para te dizer que já me convenceste; marca lá o próximo treino na Serra de Valongo.


Da mesma forma que aponto o dedo acusador quando me sinto indignado também me levanto para aplaudir quando a situação o merece: excelente organização, com os quilómetros bem marcados, com indicação do tempo de corrida a cada 5km, com placas avisadoras de abastecimento a 100m, e com um saco final bem recheado. Só falhou em não me responder ao email perguntando se haveria possibilidade de chuveiro no final da prova, pelo que suspeito que não me quiseram responder que seria apenas para estrangeiros, ficando os portugueses e os galegos excluídos.
Quanto à prova, correu bem, atendendo a que ontem mancava e que o tendão ainda não me deixou em paz e que à excepção de um recente treino de 15km a 5:40, só tenho rolado 30 a 40minutos 2 a 3 vezes por semana. O Vitor, que esteve completamente parado durante 15 dias, devido a lesão, fez uma prova com início mais cauteloso indo apanhar-me ao km 18 e ainda se dando ao luxo de ficar 10s à minha frente (para a próxima regressa ao Porto à boleia!), terminando ambos no minuto 39 (mais uma hora, claro). Não foi bom nem mau, antes pelo contrário.
Sozinho: casa + pte D. Luiz I (travessia do tabuleiro inferior) + pte da Arrábida (travessia) + pte D. Luiz I (travessia do tabuleiro superior) + pte do Infante (travessia) + casa.

… e sair do mar sem o sentir (nem ao direito nem ao esquerdo).
Grande iniciativa esta dos Porto Runners, que consistiria supostamente num treininho de meia hora só para aquecer, e que acabou por se transformar num treino de uma hora, seguido de um mergulho no Atlântico.
Enquanto aguardávamos que abrandasse o aguaceiro contei 22 atletas, mas no final estavam lá alguns rostos que não tinha visto no início. Seríamos perto de 30.
Durante o treino, a chuva e a ressaca deram as mãos e puseram-se a milhas para cederem lugar a um solzinho tímido mas reconfortante.
Quanto ao mergulho, não custou nada, pois não estávamos ali para hesitações. Com a toalha e a mochila em pontaria, supunha que sairia da água a bater o dente e a correr para o agasalho. Puro engano: o nosso corpo é algo admirável e a reacção térmica é surpreendente. Já fora d'água ficamos uns bons 10 minutos à conversa antes de calmamente nos dirigirmos para as toalhas.
No final, o chazinho, de que alguns mais precavidos se lembraram, foi um tónico reconfortante.
Fotos gentilmente cedidas por Pedro Amorim e abusivamente publicadas por João Meixedo.

À cautela inscrevi-me na de Gaia e na do Porto. À primeira fui ontem à segunda fui hoje. Não digam nada ao médico. A Gaia ainda não chegaram os GPSs, nem as fitas-métricas, nem os conta-quilómetros, nem os conta-

passos, enfim a distância é, em pleno século XXI, ainda um mistério. Arranquei rápido, parei com dores ao fim do 2º km, andei a passo e lá fui retomando o ritmo, para terminar com 48:51 e uma média de 4:28 (qual terá sido a distância?). Salvou-se o tempo, que se manteve frio mas seco, e o chazinho e o bolo-rei que no final é oferecido a todos os atletas, inclusive aos portugueses.
Aqui na da Invicta o céu já foi outro e começou mesmo a chover cinco minutos antes do tiro de partida. As dores aconselhavam-me a ficar em casa à lareira, mas esta é uma prova muito especial, e ainda por cima seria a minha 9ª participação, pelo que lá fui. Afinal não doeu e terminei com 45:21 e a mesma média da de Gaia. Há coisas fantásticas, não há?

Entretanto o Leão Martins corria, à mesma hora, a S. Silvestre da Central de Compras e batia o seu recorde dos 10km com o brilhante tempo de 36:04 e um magnífico 52º lugar.

Que tinha sido uma desinserção do tendão; isto é: que o tipo se tinha soltado do osso da bacia, mas que a tendência seria para se voltar a agarrar; pelo que ele prescrevia actividade física moderada, para que o tal protagonista não perdesse elasticidade e, mais a mais, estava-se mesmo a ver que eu era endorfinómano.
Analisemos então o insulto: a endorfina é uma substância natural produzida pelo cérebro em resposta à actividade física, com o objectivo de relaxar o organismo e prevenir a dor, pelo que provoca sensação de bem-estar e euforia, mais ou menos moderada.
Todos os praticantes de actividade física regular conhecem a sensação de, em determinada fase do exercício vermos o cansaço e a dor muscular substituídos por um inegável bem-estar, uma mistura de euforia e prazer, que proporcionar uma impressão de paz interior e uma certa e tranquilidade.
Ora aí surge o tal de endorfinómano, que tanto abrange o viciado em actividade física, que no caso de parar sofre crise de abstinência, como aquele que vai intensificando cada vez mais o exercício à procura da tal euforia.
Pois é, apesar de as endorfinas melhorarem a memória, o estado de espírito e o sistema imonulógico, de aumentarem a resistência e a disposição física e mental, de bloquearem as lesões nos vasos sanguíneos, aliviarem a dor e terem efeito antienvelhecimento – tudo coisas perniciosas, como se vê – eu arrisco e continuo a apostar nessa droga, pelo que após 9 dias sem treinar saí hoje pelas 7 da matina, ainda a cidade dormia, para um treino necessariamente curto de 45 minutos, ao longo do rio Douro.
Esta minha 7ª participação foi feita em condições físicas que me aconselhariam mais a ter ficado em casa a repousar. Bom, na verdade, se tivesse faltado à chamada, o que provavelmente teria acontecido teria sido conduzir até Penafiel para ver um jogo de bola.
Este foi ano de caldeirada emocional. Deixei o puto no Olival às 7:30 da matina e rumei o mais lentamente que consegui para Paranhos, onde cheguei pelas 8:00, e onde a calma própria de uma rua cortada ao trânsito, numa fria manhã de um dia feriado, contrastava com uma súbita agitação interna que se começava a instalar.
Era impossível não me recordar da edição de 2005, ano em que convenci dois dos meus irmãos a fazer-me companhia, e de como durante a prova e para evitar a desistência de um deles ao fim do primeiro quilómetro, rolei a 6:15min/km. Foi a última vez que ele fez exercício físico: na terça-feira seguinte não apareceu no treino de futebol, e na quinta-feira também não. Vai daí, nunca mais tento convencer ninguém a correr. Há um ano que não o vejo. Tenho saudades.
Era impossível não me recordar de como o Salgueiros foi este ano buscar o meu miúdo a um torneio de futebol de rua, o recebeu de braços abertos, lhe deu estatuto titular, e de como passados dois meses, e não resistindo a um assédio de um clube dito maior, os deixei sem guarda-redes a uma semana do início do campeonato. Confesso com mágoa esta pedra no sapato.
Era impossível olhar este cenário de cidade bombardeada e não me emocionar
Longa vida ao Salgueiros!
Através do meu amigo Paulo Rodrigues fiquei a saber da aventura do ultra-maratonista Serge Girard, que se propõe fazer 25.000km non stop em volta de toda a Europa, ao longo de um ano.
Também por sugestão do Paulo surgiu a possibilidade de acompanhar o Serge, durante alguns kms, quando ele passar pelo Porto.
Entrei em contacto, via email, e recebi como reposta que a passagem dele pelo Porto deverá acontecer já na próxima segunda-feira, dia 7 de Dezembro (o homem faz entre 70 e 80km por dia), não se sabendo ainda qual o percurso que ele seguirá.
Bem sei que é dia de semana, mas é véspera de feriado, pelo que quem estiver a prever fazer ponte poderia juntar-se ao pelotão. Também sei que é véspera da Volta a Paranhos, mas meia hora de corrida não vai interferir com a prova de ninguém.
Estejam atentos às últimas, porque ficaram de me enviar mais pormenores.

Entretanto vou tentar correr 10 a 15 minutos hoje, para ver como reage a minha perna.
