Folheando a SportLife de Fevereiro encontrei, na página 14, uma coisa. Chamo-lhe assim porque se por um lado não a posso honestamente classificar como artigo, também não a posso formalmente rotular de publicidade. Chamemos-lhe, então, a coisa.
Intitulada “As Pegasus que amam o planeta Terra – quando a ecologia corre”, a coisa tece rasgados elogios à NIKE e às míticas Pegasus, porque supostamente a sua elaboração tem em conta, a partir de agora, o meio ambiente, na medida em que 20% do poliéster e 3% da borracha utilizados são de proveniência reciclada.
Uau, estou sensibilizadíssimo!
Os gigantes deste mundo estão, como sempre estiveram, a marimbar-se para o meio ambiente, sendo que a única diferença em relação ao passado é que actualmente o seu comportamento passou a ser de um cinismo requintado, ao perceberam que o tema vende.
É o próprio patrão da NIKE que reconhece ter, em países do terceiro mundo como a Indonésia ou Vietname, crianças com menos de 12 anos de idade que trabalham em condições degradantes, 12 horas por dia, 6 dias por semana, em fábricas que utilizam químicos perigosos, respirando-os durante todo o dia. Já para não falar nas bolas NIKE, cosidas à mão no Paquistão, por crianças com menos de 8 anos de idade, trabalhando em caves imundas.
Entretenham-se:
http://www.angelfire.com/art/antinike/outro.htm
http://www.saigon.com/~nike/fact-sheet.htm
http://www.saigon.com/~nike/
http://www.globalexchange.org/campaigns/sweatshops/nike/stillwaiting.html
http://www.oxfam.org.au/campaigns/labour-rights/nikewatch/
http://www.saigon.com/~nike/fact-sheet.htm